Considerado o fundador da Homeopatia, nasceu em Meissen na Alemanha Ocidental, em 10 de Abril de 1755 e foi baptizado com o nome Christian Friedrich Samuel Hahnemann.

Na escola revelou-se muito aplicado e evidenciou-se no estudo de várias línguas estrangeiras, de tal forma que aos 13 anos ensinava língua hebraica aos seus colegas. Por dificuldades económicas da família, o seu pai retira-o da escola e aos 15 anos manda-o trabalhar para um armazém em Leipzig a fim de adquirir conhecimentos práticos como comerciante para mais tarde poder ajudar a família. Esta atitude não foi do acordo de Samuel Hahnemann que mais tarde voltou aos estudos com maior dedicação e empenho, tendo entrado na Universidade de Leipzig em 1775, então com 20 anos de idade. Em 1777 foi para Viena viver e trabalhar como clínico no denominado Hospital dos Irmãos da Misericórdia de Leopoldstadt. Curiosamente em 1779 já dominava 7 línguas, tendo traduzido cerca de 20 textos médicos e científicos.

Também em 1779 retoma os estudos de medicina na cidade de Erlangen, na Alexander University, onde acabaria por sair licenciado em Medicina, tendo mais tarde assumido o cargo de médico-chefe na cidade de Gommern. 

Em 1782 casou com Johanna Leopoldine Kuchler, tendo atravessado um importante dilema interno de possível renúncia à prática da medicina, pois estava deveras preocupado com os malefícios advindos dos métodos e dos remédios aplicados nas curas nessa época. Estava-se numa época em que a doença era considerada um inimigo que invadia o organismo e que deveria ser combatido por qualquer meio ou método que era considerado favorável. Ora estes métodos correntes eram as sangrias, os purgantes, os eméticos, as ventosas, a flebotomia, entre outros associados por vezes à ingestão de doses massivas de produtos químicos como o mercúrio e o arsénico. Na maioria dos casos, do método ou processo de cura, advinha a morte do doente.

Na realidade, a crescente tomada de consciência de Hahnemann de que esta forma de cura não servia os interesses dos doentes, levou-o a abandonar a prática da Medicina e mudar-se com a família para Dresden onde entre 1785 e 1789 esteve inteiramente dedicado à escrita e à pesquisa. 

Como Hahnemann não nutria simpatias nem por médicos nem por farmacêuticos da sua época, envolvia-se muitas vezes em trocas de argumentos menos amistosas com ambas as classes profissionais que eram muito consideradas pela população e tinham uma posição muito privilegiada. No desenvolvimento dos seus métodos de cura homeopáticos, Hahnemann usava cada vez menor quantidade de matéria na preparação dos seus remédios, acreditando cada vez mais no poder curativo e energético dos remédios individuais em detrimento dos remédios complexos ou misturados.

Em 1793, Hahnemann publicou uma obra considerada por muitos de excelência, tinha 4 volumes e designava-se por Aphotecaries Lexicon, onde descrevia as precauções e os procedimentos que todos os médicos e farmacêuticos deveriam observar e respeitar na preparação de remédios.

Em 1796 Hahnemann publica no “Jornal de Medicina Prática” um artigo com 150 páginas com o título “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais, seguido de alguns comentários sobre os princípios admitidos até aos nossos dias”. A data da publicação desse artigo é considerada como a data do nascimento da Homeopatia.

A partir de 1801 Hahnemann começa a utilizar os remédios dinamizados, preparados através de diluições e sucussões sucessivas, uma técnica da homeopatia que a caracteriza e que visa potencializar os princípios activos medicinais contidos nas substâncias. 

No ano de 1813, Hahnemann e a nova medicina homeopática ganharam muito interesse e popularidade, pois logo após a derrota do exército de Napoleão às portas de Leipzig, eclodiu uma epidemia de febre tifóide, tendo Hahnemann tratado com êxito cerca de 180 doentes e perdido apenas 1. A partir deste ponto a sua fama e a da homeopatia espalharam-se pela Europa fora.

A última mas também importante obra médica escrita por Hahnemann, publicada em Dresden, em 1828, tinha 1600 páginas e 5 volumes e tinha o título de Chronic Diseases, their Nature and Homeophatic Treatment. Esta obra acolheu muitos admiradores e muitos críticos entre homeopatas e alopatas, devido a considerar por exemplo que a maioria das doenças crónicas seria devida a influências contagiosas de miasma, hereditário ou adquirido, a que chamava psora.

Outro grande teste ao poder curativo da homeopatia ocorreu entre 1831 e 1832, quando na Europa surge de forma violenta uma epidemia de cólera que provocou inúmeros mortos. Hahnemann acreditava e aconselhava a utilização de apenas um único remédio que era a cânfora (Camphora) bem como sugeria que se isolassem os doentes e se desinfectassem os locais e as pessoas que tinham contacto com os mesmos, para não serem focos de posterior propagação da doença.

O sucesso foi enorme e não tardou a que Hahnemann visse aumentado o número de seguidores das suas doutrinas homeopáticas, vindos de vários países da Europa e que procuravam nele os seus conselhos e os seus ensinamentos. 

A sua esposa faleceu em 1830, tendo entretanto dado à luz 8 mulheres e 2 homens durante os anos de casada favorecendo Hahnemann com uma família numerosa, mas no seio da qual, apesar do bom relacionamento e acolhimento, Hahnemann sentia sempre alguma solidão. No ano em que Hahnemann fazia 80 anos, foi consultado por uma parisiense de 34 anos que se chamava Melanie Gohier e era nada mais nada menos que a filha do então Ministro Francês da Justiça. Curiosamente apesar da diferença de idades, Hahnemann ficou encantado com a inteligência e o charme da jovem francesa e casaram-se em 1835, tendo-se mudado para Paris.

Já em Paris, Melanie Gohier exerce a sua influência junto da corte e do próprio rei Louis Philippe para que o marido pudesse exercer a sua medicina. Hahnemann que era adorado por muitos, vê-se rodeado de muitos clientes e seguidores não só franceses como muitos estrangeiros, continuando a propagar a popularidade da homeopatia como medicina.

Aos 88 anos em 2 de Junho de 1843, Hahnemann morre em Paris devido a uma crise de catarro brônquico que o flagelou durante 10 semanas e à qual não resistiu. Os seus restos mortais permanecem no cemitério de Père Lachaise junto das campas dos famosos Rossini, Moliére e Gay-Lussac, e na sua lápide pode ler-se a inscrição inspiradora “Non inutilis vixi”, ou, “Não vivi em vão”.

Na próxima publicação irei descrever a forma como nasceu a Homeopatia.
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