Se considerarmos o ser humano como um todo, tendo em conta a sua inteligência, a capacidade de sentir emoções, o poder da linguagem com que se exprime, as capacidades cognitivas e criativas, podemos afirmar que nenhum outro organismo à face da Terra é tão complexo e multidimensional.


Quando nascemos despertamos para um mundo hostil e desconhecido. A nossa primeira emoção é o medo da queda, pois é essa a primeira sensação que temos ao sairmos do ambiente aquoso e confortável da nossa mãe. Mas também as luzes, o ruído, o movimento e as pessoas à nossa volta começam a criar uma imagem do caos que nos acompanhará para o resto da vida.

Quando nascemos, nascemos puros, livres de agentes invasores morbíficos e nascemos felizes com as únicas tarefas de, nos primeiros meses de vida, nos alimentarmos do leite da nossa mãe e de dormirmos. Esse ritual é um ritual determinante para o desenvolvimento de um sistema imunitário saudável. A seguir, o contacto com outras crianças, com o ambiente, com as doenças epidémicas típicas da infância, são fatores essenciais para que o sistema imunitário possa ser devidamente treinado e com isso ficar mais forte para ser capaz de enfrentar os ataques ao seu equilíbrio homeostático ao longo da vida. 

É sabido que o sistema imunitário aprende como se defender através do contacto com a doença epidémica, por isso, quando não permitimos que esse processo ocorra, não teremos um sistema imunitário mais forte, mas sim e pelo contrário, um sistema imunitário mais enfraquecido. Por outro lado, existem outros fatores pelos quais adoecemos, resultantes do nosso modo de vida, dos nossos hábitos, hábitos alimentares, pensamentos e emoções negativas, para além da utilização indiscriminada e precoce de vacinas e de certos medicamentos, como os antibióticos, anti-inflamatórios, corticosteroides, cremes com fatores de proteção solar elevados ou a exposição excessiva a radicais livres ou a outras substâncias químicas presentes no ambiente e que colocam o nosso organismo sob stress oxidativo.

Quase todas as pessoas apresentam problemas de saúde. Não existe uma única criança que, no seu processo de crescimento, não tenha um ou outro problema de saúde e que normalmente começa por uma manifestação aguda e por isso com febres altas. Essas doenças também típicas da infância, que não as epidémicas, manifestam-se principalmente nos sistemas mais expostos ao meio ambiente, ou seja, nos sistemas respiratório, digestivo e tegumentar (pele). Quando as doenças agudas não são adequadamente tratadas, quando os sintomas são suprimidos e o sistema imunitário, como consequência se torna mais fraco, o quadro geral de saúde da criança ficará permanentemente comprometido e a doença, que era superficial, passará para níveis mais profundos, para órgãos de maior importância vital.

Ao suprimirem-se os sintomas, poderemos ficar com a impressão inicial de que o quadro geral melhorou, mas, de facto, a doença irá tornar-se cada vez pior. É invenção puramente intelectual afirmar que os sintomas são manifestações negativas e que devem ser eliminados ou suprimidos. São antes mecanismos biológicos de aviso e de adaptação.

Em Homeopatia não se trata a doença que a pessoa tem, mas sim a pessoa que tem a doença e por isso todos os sintomas físicos, mentais e emocionais são importantes e utilizados na procura do tratamento individualizado adequado. A supressão é substituída por estímulos de autorregulação do organismo com vista ao equilíbrio homeostático da pessoa doente.
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