gandalf

Os velhos

Não gosto da palavra idoso e por isso refiro-me aos mais velhos como velhos com todo o meu carinho, amor e reconhecimento.

Daqui a sensivelmente um mês farei 60 anos de idade. Há 10 anos, o lema do meu aniversário foi: “os 40 são a velhice dos jovens e os 50 a juventude dos velhos”. E foi exactamente isso que aconteceu. Mudei completamente a minha vida, numa altura em que deveria, segundo os padrões da sociedade, acalmar e esperar pela reforma. Mas não foi o que fiz. Voltei a estudar, deixei um emprego bem remunerado, criei o meu próprio negócio na área da saúde e bem-estar (www.naturezamae.pt) e, apesar de algumas dificuldades momentâneas  e, de por vezes, sentir algumas tentações, sinto-me realizado e sem vontade de voltar atrás. Até porque voltar atrás é algo que é impossível, porque “o mundo pula e avança”.

Mas falava eu dos velhos. Os velhos de antigamente eram sábios, eram venerados pela sua lucidez e sabedoria. Todos recorriam às pessoas mais velhas para pedir conselhos. Hoje, nesta sociedade, em que o que conta são as estatísticas, temos cada vez mais velhos, mas cada vez menos sábios. Morreram em 2017, três milhões de pessoas com demência, incluindo Alzheimer, para não falar das doenças cardiovasculares (incluindo hipertensão arterial), respiratórias, diabetes, entre outras. Estamos a produzir velhos doentes em vez de velhos fortes e saudáveis e por isso o número de casos de demência aumenta exponencialmente de ano para ano.

Cheguei a uma idade em que, em caso de emergência global, serei dos primeiros a não ter direito a assistência imediata. Isto porque também estamos a produzir jovens imunodepressivos. Há cada vez mais doenças autoimunes (leia-se imunodepressivas) em idades mais jovens e por isso aquilo que eram as doenças dos velhos, como por exemplo a artrite reumatoide, é agora doença de novos. Ninguém se preocupa em fazer uma reflexão séria das verdadeiras causas deste fenómeno. Ninguém se preocupa em saber o que realmente se passa.

Quando olhamos para os números dessa que é a doença da moda, a Covid-19, vemos que os mais velhos são os mais atingidos. Cerca de 80% das mortes são de pessoas com mais de 70 anos. Ah, mas há cada vez pessoas mais novas e sem antecedentes de doenças crónicas que morrem devido a infecção provocada pelo Coronavírus! ISSO NÃO É VERDADE!

Numa sociedade em que as crianças, desde há mais de 40 anos, são vítimas do uso indiscriminado e contínuo de antibióticos e outras substâncias químicas depressoras do sistema imunitário, não podemos afirmar que uma boa percentagem dos jovens de hoje não é portadora de uma doença crónica assintomática (suprimida).

Também entre os profissionais de saúde assintomáticos há cada vez mais baixas. É verdade, se não considerarmos a fadiga, o stress e o medo de falhar como factores de grande risco para o seu sistema imunitário e consequentemente para a sua saúde.

O risco de falência, ou pelo menos de grande preocupação financeira nas pessoas, famílias e pequenas e médias empresas que, pela imposição de uma quarentena generalizada, sem prazo de acabar, vai trazer maior stress a pessoas que até agora não pertenciam ao grupo de risco. Há medida que o tempo passa o grupo de risco vai-se alargando ao ponto de não passar a haver distinção entre mortalidade velha e mortalidade nova.

Por isso, enquanto ainda é tempo, vamos isolar os grupos de risco, mas com condições dignas de quem nos deu tudo. Nos deu vida, nos deu amor e nos ensinou a dar amor, nos transmitiu valores, conhecimento e sabedoria, nos ajudou em momentos de maior aflição e sobretudo, tendo-nos dado amor nunca deixou de nos amar.

Uma boa notícia é que, apesar de tamanho aparato e das profecias do fim do mundo, a população mundial continua a crescer, ou seja, continua a haver mais nascimentos do que mortes. E uma outra boa notícia é que, face à população mundial esta pandemia não tem qualquer expressão estatística.

Por fim gostaria de deixar uma mensagem de esperança. Estou plenamente convencido de que esta fatalidade nos vai fazer mudar de paradigma. Vai fazer com que tomemos consciência de que não podemos continuar a intoxicar os nossos corpos, tornando-os mais debilitados e, por isso, com um sistema imunitário mais frágil. Vamos tomar consciência de que a natureza e o contacto com essa mesma natureza é algo que nos elevará enquanto seres humanos e nos trará de volta todos os velhos, sábios e orgulhosos dos jovens que os procuram, pela sua sabedoria e não pela compaixão de quem já não sente e de quem já não sabe ou não se lembra. Eu como “adolescente” na minha velhice vou continuar a estudar e a questionar aquilo que não me faça sentido, para que, um dia mais tarde, possa também ser procurado pelos jovens que, sedentos de sabedoria, vêm ter com o seu mestre.

E como motivação olho para os meus pais, o meu pai, um sábio, com uma memória e conhecimento invejáveis e a minha mãe que, com os seus 85 anos de idade, ainda monta semanalmente a cavalo e, como agora não pode sair, me dizia “penso no meu cavalinho e com isso mato saudades”. E por isso,

SEJAM FELIZES

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